Gokon (合コン)
Gokon é uma palavra híbrida formada por um caractere chinês (合), que significa “combinar” e um fragmento em katakana (コン), que é a abreviação de (コンパ - konpa), que por sua vez vem da palavra inglesa “company”, que aqui no Japão tem o sentido de “reunião para beber e conversar”. Sendo assim, daria para traduzir esta palavra como “festa combinada”, sendo que aqui combinada se refere ao fato de que nos gokons necessariamente o número de homens é exatamente igual ao número de mulheres. Caso esse requesito não seja atendido, não teremos um gokon.
Os gokons são arranjados por um casal de amigos ou conhecidos. Por exemplo, eu posso combinar com uma amiga que ela irá convidar um certo número de amigas e eu convido o mesmo número de amigos. O número ideal é entre 4 e 5 de cada sexo. Escolhemos então um local para o encontro, geralmente uma izakaya (bar em estilo japonês). As izakayas são ideias porque proporcionam salas separadas para cada grupo de clientes, de forma que não são vistos pelos outros freqüentadores do local, permitindo que o grupo possa ficar mais à vontade. O casal que organiza o gokon fica responsável pela reserva do local, contato com os outros participantes e cálculo e recolhimento do dinheiro.
Ao chegar ao local, todos sentam ao redor da mesa. A distribuição das cadeiras pode variar, mas pelo que eu vi até hoje, geralmente no início, sentam todos os homens de uma lado e todas as mulheres do outro e começam a beber e conversar, enquanto comem salgadinhos e outros tira-gostos como saladas, sushi, edamame, sashimi, yakitori, etc. (esses tira-gostos não são exclusividades de gokons, mas apenas o que geralmente é oferecido em izakayas). O objetivo é se conhecerem, ou melhor dizendo, os homens conhecerem as mulheres e vice-versa, já que tanto o grupo dos homens como o das mulheres já são amigos ou conhecidos entre si. No início, as conversas geralmente giram em torno do local de origem de cada um, do seu trabalho, gostos para música e comida, etc.
Depois de um certo tempo, os organizadores convidam todos a trocarem de lugar, até que todos tenham a oportunidade de conversar com todos. Com o consumo de álcool, os assuntos podem ir mudando, e podem acontecer declarações de amor à primeira vista, discussões e desagravos, principalmente entre os homens, etc. Nessas horas também, é comum organizar algumas brincadeiras. Vou descrever duas dessas aqui:
- Brincadeira do rei
- O organizador escreve números numa das ponta de hashis (pausinhos de comer). Em um desses hashis, ele escreve “rei”. O organizador segura então os hashis de modo que a ponta que onde ele escreveu não fique visível e pede a cada participante que escolha um. Quem pegar o que estava escrito “rei” tem o direito de emitir uma ordem do tipo: “O rei manda o número 1 fazer ··· com/para o número 5.” Parece (e é) brincadeira de crianças, a não ser pela diferença no tipo de ordem que o rei dos gokons é capaz de dar. Por exemplo: “O rei manda o número 4 dar um beijo de língua no número 3”!
- Brincadeira do pocky
- Pocky é um biscoito em forma de bastão com cobertura de caramelo ou chocolate ou outra coisa doce. Se fosse no Brasil, esta brincadeira se chamaria “brincadeira do plic-plac”. A brincadeira é simples: um casal tem que comer um pocky, cada um começando por uma ponta. Não pode deixar o pocky cair, mas quase todos acabam derrubando, por isso ganha o casal que deixar cair o menor pedaço. Embora a idéia seja comer até o fim, sem se tocar, o normal é que, se o casal se propor a comer até o fim, acaba por se beijar na boca! heheheh
O tempo que podem passar na izakaya geralmente é limitado a umas duas horas. Depois disso, o grupo segue para algum outro local, sendo o karaoke o destino mais comum. A hora do trânsito entre um local é outro é uma boa oportunidade para conversar mais reservadamente e trocar telefones. Deve-se ter muito cuidado com a hora exata de pedir o telefone da moça, porque as japonesas não se sentem bem em dar o telefone da frente de todo mundo.
Como segundo local, escolhe-se um lugar em que se possa ficar mais tempo, pelo menos até pouco antes do horário do último trem, que é quando o gokon acaba, pois as moças têm que voltar para casa e se perderem o último trem, terão que esperar até depois das 5h da manhã, quando novamente os trens começam a circular. Nesta hora, há mais uma oportunidade para se conversar a sós, ao acompanhar a moça até a estação.
Outros detalhes
Em primeiro lugar, uma coisa que se fala muito é que você deve ter muito cuidado com a escolha da conhecida para quem vai propôr o gokon. A regra básica é: a moça sempre vai escolher amigas mais feias dos que ela, pois o gokon é uma espécie de competição para impressionar os rapazes (e quem sabe conseguir um namorado). Mas nem sempre ela pode escolher, pois ela tem a responsabilidade de juntar um número definido de amigas que estejam dispostas a participar do gokon e que não tenham compromisso no dia marcado. Esse esforço pode significar que ela convidará amigas mais bonitas e interessantes que ela, mas geralmente significa que ela trará algumas moças abaixo do nível que ela mesma considera ideal. Entre os rapazes, acontece o mesmo, e pode acabar vindo uns caras muito esquisitos.
Isso faz com que o gokon se torne uma coisa bem democrática. Mesmo que você seja feio ou esquisito, poderá ser convidado por um conhecido para completar o número de participantes.
Em gokon, há uma etiqueta a ser respeitada. É de muito mal gosto partipar de um gokon e ficar quieto sem falar nada. Há que se fazer um esforço. Mesmo que não encontre ninguém que o interesse, deve conversar com todo mundo e se possível trocar telefones, pois essa moça não interessante é um contacto que pode trazer outras moças mais interessantes. Portanto, mesmo que o casal não tenha se acertado muito bem, trocam o telefone para combinar um próximo gokon com outro grupo.
O objetivo dos gokons é arranjar namoro, mas raramente você vai encontra alguém interessante e que se interesse por você no primeiro gokon. Por isso, muitos japoneses, principalmente universitários, chegam a participar de mais de um gokon por semana. Alguns até publicam o seu ”diário“ de gokons na internet.
Por que os japoneses fazem gokon?
Embora no Brasil, nós possamos imaginar esse tipo de econtro e até praticá-lo, não acho que se difundiria tanto como aqui. É que os brasileiros têm outras formas de encontrar uma namorada. Nós vamos a bares e boates e puxamos conversa com moças para quem não fomos formalmente apresentados, ”ficamos“ e, se der certo, namoramos. Mesmo quem não sai muito à noite, sempre tem uma amiga, uma colega de trabalho ou de aula, por quem pode se interessar e com quem pode namorar.
No Japão tudo isso é mais difícil. Primeiro, não há tantos bares e boates como há no Brasil e, os japoneses quando vão a esses lugares, é para beber e/ou dançar. Embora seja possível puxar conversa com desconhecidos (e isso acontece), é muito difícil de ficar com uma japonesa deste jeito. A não ser, é claro, que você tenha uma ferrari, muito dinheiro, etc. Neste aspecto, as mulheres são iguais em todo o mundo. Namorar com colegas de trabalho ou de aula no Japão é muito complicado, pois o povo aqui fofoca demais. No trabalho, principalmente, se houver uma relação hierárquica entre o casal, a coisa complica mais ainda. Acontece de colegas namorarem, mas o fazem com a maior discrição e no mais estrito segredo. Tanto é assim que eu já presenciei dois casos na universidade e um caso no trabalho de casais que namoravam em segredo e nunca ninguém desconfiou. De repente, eles anunciaram que iam se casar!
No Japão, a venda de pílulas anti-concepcionais é controlada e é necessário conseguir uma receita médica para adquiri-las. Portanto, se as japonesas solteiras quiserem comprar pílulas, terão que confessar para o médico que querem dar com tranqüilamente. O que acontece é que elas não compram e, portanto, não usam pílulas. Como método anti-concepcional resta a camisinha. Essa sim, é vendida até em máquinas automáticas em banheiros públicos, pois muitos japoneses têm vergonha de comprá-las nas lojas de conveniência. A camisinha, entretanto, não é um método 100% garantido. Isso faz com que o sexo se torne uma coisa muito mais séria por aqui, pois o risco de gravidez é bem mais alto. Uma gravidez acidental redunda em casamento forçado (tem até uma palavra para isso: dekikon), que aliás é muito comum por aqui. Bom, eu disse tudo isso para explicar por que o namoro no Japão é uma coisa bem mais séria do que é no Brasil. Ou, em outras palavras os japoneses não ”ficam“.
Sob essas condições, fica mais fácil de enteder porque eles procuram conhecer pessoas fora do seu círculo de amizades e conhecidos para um namoro sério e o gokon é um oportunidade perfeita para isso. Mas o gokon não é apenas uma conveniência que se criou devido ao ambiente em que os japoneses vivem. O gokon, embora seja um tipo de atividade que não existe há muito tempo, é pura e autêntica cultura japonesa.
O gokon, é um encontro para conversas informais, com o objetivo de conhecer gente nova com o intuito final de encontrar alguém para namorar. Mas o gokon não é exatamente um econtro informal (pelo menos para os nossos padrões), afinal há um protocolo a ser seguido. Começa pelo fato de que o encontro tem que ser planejado com pelo menos duas semanas de antecedência. Se a pessoa não puder ir, então deve se responsabilizar por mandar alguém no seu lugar para não estragar o encontro dos outros. Durante o encontro em si, há regras a serem seguidas. As brincadeiras picantes e as declarações de amor à primeira vista que eu citei não são exceções, pois só se faz isso quando todos estão (mesmo que supostamente) alcoolizados. Não estou dizendo que por se estar alcoolizado, o desrespeito à etiqueta é permitindo, mas ao contrário, a etiqueta manda que todos divirtam e divirtam os outros e também que esqueçam qualquer acontecimento constrangedor que tenha se passado quando estavam sob o efeito do álcool.
Comentários
Para arranjar uma namorada japonesa no Japão, é muito mais fácil se você for estudante ou trabalhador assalariado com carteira assinada. Essas duas classes de pessoas juntas dão quase 99% do Japão, eu acho, e por aí você percebe que praticamente todo mundo tem chances.
No caso de ser estudante (que foi meu caso), você só terá chances se entrar em algum clube da escola ou universidade. Os clubes são grupos de pessoas que fazem certa atividade (praticar judô, ikebana, tocar violão, cantar etc.) em conjunto. É nesses lugares que as pessoas realmente se conhecem e podem combinar coisas como gokon e nomikai.
gostei muito do seu blog =D
você abandonou ele???
bom, espero que poste mais coisas, é muito divertido!!!
cheguei aqui por meio de um blog de um angolano que gosta do japao.
meu nome é Emerson e andei lendo seus post anteriores.
Gostei do post sobre educação do japao.
tambem vim como bolsista e no momento estudo na Tokyo Gakugei.
Se puder da um pulo la no meu blog!
Um abraço
e obg pelo link
legal voce ter comentado la no Andromeda!!
Tambem coloquei seu blog na lateral do blog.
sobre seu nome, o metodo que mais me agrada na escolha eh pegar um nome genuinamente japones que tem a ver contigo.
Por exemplo, primogenitos poderiam se chamar de Ichiro. Se gostar do nome "primeiro filho forte" poderia ser Ken'ichi.
Ken é força.
Dependendo da profissão, poderia se chamar Naoki, "arvore honesta." Esse é legal.
Aqui tem uma pequena lista de nomes. Veja como seus pais ou seus amigos o consideram e veja se tem um nome apropriado.
http://www.behindthename.com/nmc/jap.php
Nao sei, outra possibilidade eh voce escolher os kanjis para ADO. Ai seria melhor escolher kanjis que nao colocam duvida na leitura, por exemplo, 亜度. Mas perde o charme, acho.
Qualquer coisa, me escreve la.
PS: grato pela historia dos Bridgestones.
E também, podem ser feitas qtas vezes precisar, mas a mulher acaba por desistir qdo o médico mostra consequências de um aborto; coisa que aconteceu com uma colega, portanto não posso entrar em detalhes como e o que seriam essas consequências mostradas.
Acredito que a vergonha de pedir ao médico um anticoncepcional seja menor do que a de fazer um aborto..
Mas, como os japoneses não são na maioria cristãos, já disseram que um embrião não é uma criança...e que por isso, fazem abortos sem nenhum peso na conciência..
Culturas diferentes...
Eu não sabia que o aborto no Japão era tão livre! Com tantas fofocas que eu já ouvi, nunca ouvi falar de ninguém que já fez aborto. As histórias de “dekikon”, por outro lado, eram freqüentes, pelo menos entre as pessoas com quem eu convivia.
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